A qualidade da alimentação oferecida para os alunos é uma preocupação constante da Secretaria Municipal de Educação. Por este motivo, além de elaborar um variado cardápio rico em verduras, legumes, frutas e proteínas, avaliado por nutricionistas da Coordenadoria de Alimentação Escolar (CAESC), de acordo com os padrões exigidos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), promove formações para merendeiras e aplaude unidades escolares que conscientizam a comunidade escolar sobre a importância dos bons hábitos alimentares.
A Escola Municipal Dr. Ely Combat, em Xerém, por exemplo, realizou na quinta-feira (06), o II Grupo de Estudos, sob o tema: “Alimentação saudável, um caminho para a felicidade”, voltado para merendeiras, professores e pais ou responsáveis de alunos. O evento contou com a presença da renomada chef de cozinha, Ana Ribeiro. A profissional, que é especialista na culinária de PANC´s (Plantas Alimentícias Não Convencionais), palestrou sobre a importância de plantas, cascas, flores e sementes, enfim, alimentos que não costumam ser ingeridos por falta de conhecimento, mas que possuem um alto valor nutricional e sem custos.
“É um prazer estar aqui, pois é uma forma de multiplicar conhecimentos por uma vida mais saudável. Não adianta o aluno se alimentar bem na escola se em casa ele come miojo ou batata frita, porque a mãe não quer ter trabalho ou não tem conhecimento de inovar sem gastar dinheiro. São alimentos que nós mesmos podemos colher na rua ou no mato, além daqueles que podem ser reaproveitados. As folhas de beterraba, couve-flor, repolho, por exemplo, são ricas em proteínas. Além de diminuir o lixo, criamos excelentes hábitos alimentares. Cerca de 80% das folhas de legumes, cascas e talos são reaproveitáveis, seja para fazer uma panqueca, pudim ou geleia; basta usar a criatividade. No Brasil há dois extremos: fome e obesidade. Temos que lutar contra essa estatística”, explicou Ana, que é graduada e pós-graduada pela FABES e já assinou a culinária de famosos restaurantes da rede hoteleira. Eleita a melhor chef de cozinha em 2015 pelo prêmio Dólmâ, Ana é membro atuante do Instituto Ecochef Maniva e promove eventos gastronômicos no Brasil e fora do país.

De acordo com Simone Oliveira, mãe da aluna Áurea Oliveira, de 11 anos, a aula foi muito interessante. “Aprendi até que com as plantas ou matinhos do meu quintal posso fazer chá ou comida. Ainda peguei receita de bolos de arroz e agrião, e pretendo montar uma hortinha em casa”.

Desenvolver nas crianças a atenção para o que estão comendo e para a importância de incluírem alimentos saudáveis em suas refeições, além de engajar a família nesse processo, tem sido requisitos básicos da direção da E.M. Ely Combat, que ainda montou, junto aos alunos, uma horta medicinal e de temperos e verduras. “Nosso projeto começou pequeno, mas está ampliando. Alimentação saudável é resgatar o que nossos avós comiam. A gente quer instigar a curiosidade e que eles reflitam sobre o que estão comendo. Tudo é questão de hábito”, disse a vice-diretora, Simone Simões, acrescentando o tamanho engajamento da diretora, Edvânia Andrade. “Ela é uma excelente gestora, que faz toda a diferença nesse processo”.

O encontro ainda contou com degustação e distribuição de mudas de temperos.

Para a supervisora da CAESC, Leane Martins, a ação da Ely Combat serve de referência. “A nossa rede é abastecida com 30% da Agricultura Familiar, que é rica em produtos naturais. A ideia é conscientizar todas as comunidades escolares sobre a importância de mudarem os hábitos alimentares de forma consciente e saudável”.

About Marilea